Análise
Estatísticas de Gênero do IBGE, primeira com esse tema, é fruto de
parceria com SPM e MDA; para ministra da SPM, estudo aponta protagonismo
da mulher, juntamente com desafios
Um
panorama inédito sobre as mudanças na situação das mulheres brasileiras
acaba de ser traçado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), com base nas informações do Censo Demográfico de
2010 comparadas às de 2000. O objetivo dessa análise da condição da
mulher, produzida em parceria com a Secretaria de Políticas para as
Mulheres da Presidência da República (SPM-PR) e a Diretoria de Políticas
para Mulheres Rurais e Quilombolas do Ministério do Desenvolvimento
Agrário (MDA), é fornecer uma base de dados para que estados e
municípios atuem com políticas de gênero.
Os
dados foram divulgados nesta sexta-feira (31/10), pelo IBGE no Rio de
Janeiro. A secretária de Articulação Institucional e Ações Temáticas da
SPM, Vera Soares, participou do lançamento do estudo.
De acordo com as Estatísticas de Gênero - Uma análise dos resultados do Censo Demográfico 2010
, as mulheres vêm ganhando espaço no quadro socioeconômico do país.
Elas estudam mais, contribuem mais com o rendimento familiar e
aumentaram seu índice na condição de chefes de família. As mulheres
tiveram ainda maior aumento relativo de rendimento médio entre 2010 e
2000: este cresceu 12,8%, enquanto o dos homens registrou 7,9%.
"O
que se avançou no protagonismo das mulheres em todas as áreas é muito.
As estatísticas de gênero mostram o Brasil real e, também, que nós temos
muito o que fazer ainda", destacou a ministra da SPM, Eleonora
Menicucci.
Trabalho
- As mulheres que trabalham com carteira assinada representavam 51,4%
em 2000 e chegaram a 57,9%, dez anos depois. O aumento de formalização
foi identificado também quando se observa a questão de raça. As pretas e
pardas passaram de 43,3% para 50,8% no mesmo período.
A
contribuição das mulheres no rendimento familiar também cresceu mais
que a dos homens: chegou a uma média de 40,7% no Brasil. Em áreas
rurais, foi superior a esse índice: 42,4%. O Nordeste apresenta uma
diferença ainda maior, de 46,8%.
Esses
resultados decorrem das políticas públicas adotadas pelo governo
federal na última década, como a valorização do salário mínimo e a
implantação de programas sociais, a exemplo do Bolsa Família e do
Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
O
percentual de crianças de até três anos que frequentavam creches foi
65,4% em 2010. Esse indicador impacta diretamente no nível de ocupação
das mulheres em relação àquelas que não dispõem desse serviço.
Educação
- Houve ainda aumento da frequência escolar, no ensino médio, de 9,8
pontos percentuais em relação à masculina no período. A taxa feminina
foi de 52,2%, quando os homens alcançaram 42,4%. Outro fator positivo é o
aumento do percentual de jovens (15 a 17 anos) que se mantinham
cursando o nível educacional apropriado à sua idade. Subiu de 34,4% em
2000 para 47,3% em 2010. “Foi um esforço muito grande do governo para
adequar esse indicador à faixa etária", observou a secretária Vera
Soares.
Ainda
na educação, em 2010, havia um contingente maior de mulheres entre os
universitários de 18 a 24 anos. Elas representavam 57,1% do total de
estudantes na faixa etária. Consequentemente, o nível educacional das
mulheres é maior do que o dos homens na faixa etária dos 25 anos ou
mais.
A
proporção de adolescentes (15 a 19 anos) com filhos, também reduziu-se
na década: de 14,8% para 11,8% . A gravidez precoce é um dos motivos
para que adolescentes interrompam os estudos, prejudicando a formação
profissional.
Desafios
- As Estatísticas apontam, no entanto, que as desigualdades ainda
persistem. As mulheres ganham menos do que os homens, exercendo as
mesmas funções. Os menores rendimentos afetam em proporção as mulheres
pretas e pardas da região Nordeste. Mais de 50% das mulheres nessas
condições têm rendimento de até um salário mínimo.
As
mulheres pretas ou pardas também compõem a maior proporção de
trabalhadoras com e sem carteira de trabalho assinada. Essa disparidade
ainda acontece no nível educacional: 42,5% das pretas ou pardas não
tinham instrução ou não completaram o ensino fundamental, quando
comparadas aos 28% de mulheres brancas na mesma situação.
Para
a ministra Eleonora Menicucci, é fundamental mudar a cultura
patriarcal, que impõe valores discriminatórios, visando que se rompam de
verdade as iniquidades entre mulheres e homens. Neste sentido, o
Governo Federal vem implementando nos últimos anos políticas públicas
voltadas ao empoderamento das mulheres --dentre elas, o Pronatec. Nele,
mais de 66% das matrículas nos cursos de profissionalização são as de
mulheres, em cursos como construção civil, mecânica e eletrônica, entre
outros. "Nosso desafio é aprimorar cada vez mais as políticas públicas
voltadas às mulheres", afirmou a titular da SPM.
Acesso no portal - O Sistema Nacional de Informações de Gênero (SNIG) criado pelo IBGE é uma ferramenta disponível em página (www.ibge.gov.br/apps/snig/v1/)
que visa facilitar o acesso às informações para qualquer pessoa que se
interesse, incluindo gestores municipais, estaduais e técnicos que atuam
na área. O sistema apresenta indicadores sobre aspectos populacionais
(incluindo famílias e migração), pessoas com deficiência, habitação,
educação, mercado de trabalho e rendimento. Além da desagregação por
sexo, há também por cor ou raça, situação do domicílio e grupos de
idade, entre outras. Além do acesso pela página do Instituto, é possível
instalar um aplicativo no celular
Fonte: SPM-PR/MDA/IBGE 31/10/2014
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