“Há
duas questões que vão afetar o setor daqui para frente. Um é o
envelhecimento dos empregados. Com as melhorias nas condições econômicas
ele [o setor] se tornou pouco atrativo. Esse é um fator de estruturação
do setor, porque vai escasseando a mão de obra e a capacidade de
negociação das trabalhadoras melhora”, disse o diretor de estudos e
políticas sociais do Ipea”, André Calixtre. A segunda questão é a PEC
das Domésticas que, segundo ele, vai impulsionar a estruturação do
setor, ao garantir direitos”.
De acordo com a nota técnica do
instituto, “a estrutura de proteção social do emprego doméstico tem
melhorado ao longo dos últimos dez anos, no entanto, permanece mais
precária do que a média dos outros empregos”. O texto cita os avanços
legislativos com a aprovação recente da PEC das Domésticas e da Lei
Complementar 150/15, que regulamenta a atividade e cujos efeitos devem
refletir nas pesquisas dos próximos anos.
Outra transformação
analisada é a da estrutura familiar dos brasileiros nos últimos dez
anos, que mostra arranjos diferentes do tradicional modelo formado por
um casal com filhos. Os domicílios ocupados por casal com filhos
diminuíram dez pontos percentuais entre 2004 e 2014, passando de 54,8%
para 44,8%. Esse modelo familiar cedeu lugar aos lares formados por
casais sem filhos, com homens ou mulheres sozinhos e por lares chefiados
exclusivamente por mulheres.
André Calixtre avalia que a queda
de dez pontos percentuais no período representa uma mudança rápida e
profunda. “Temos uma sociedade mais moderna e aberta do que há dez anos.
Os arranjos familiares mudaram radicalmente. Está cada vez mais difícil
compreender dentro do domicílio de quem é a renda principal e de quem é
a renda secundária. Há uma mudança estrutural no modo de vida das
pessoas”, disse.
O estudo mostra que cresceu o número de
domicílios em que os casais não pretendem ter filhos. Enquanto em 2004
representavam 12,4%, em 2014 eram 20,2%.
A análise do Ipea aponta
que a base estruturante dos avanços sociais que vêm sendo feitos desde
2003 permanecem. Há crescimento real da renda do trabalhador, diminuição
de desigualdades e aumento da escolaridade. Os dados da Pnad mostram uma redução na taxa da pobreza extrema que caiu 29,8% de 2013 para 2014.
Yara Aquino - Repórter da Agência Brasil
Edição: Beto Coura
Com Informações da Agência Brasil /
Nenhum comentário:
Postar um comentário